Quatro em cada dez mulheres deixaram de sair à noite no último ano por medo de serem violentadas. O dado é da pesquisa “Os gatilhos da insegurança”, feita pelo Datafolha a pedido do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e divulgada no último domingo (10), segundo a CNN Brasil. Para as brasileiras, a insegurança não é só uma sensação: ela muda a vida.
Entre os homens, o índice cai para três em cada dez. A diferença pode parecer pequena, mas esconde uma realidade muito maior. Enquanto eles convivem com o medo, elas reorganizam a rotina por causa dele. São escolhas feitas todos os dias: qual rua pegar, a que horas voltar, se vale a pena sair.
Os números explicam o porquê. Todos os tipos de violência pesquisados ultrapassaram a marca de 80% de medo entre as mulheres, algo que não aconteceu em nenhum caso entre os homens. O roubo à mão armada e os golpes digitais lideram, com 86,6% cada. Ser morta em um assalto aparece com 86,2%. Ser assaltada na rua (83,2%), ter o celular roubado (83,6%), sofrer agressão sexual e ter a casa invadida (82,6% cada) e ser atingida por bala perdida (82,3%) completam a lista.
O Fórum Brasileiro de Segurança Pública, responsável por encomendar a pesquisa, afirma que o mapa do medo feminino carrega no centro uma ameaça que os homens simplesmente não enfrentam da mesma forma. Não é exagero, não é falta de coragem. É uma experiência diferente de viver no mesmo país.
Sair à noite não é o único hábito afetado. Quase 38% das mulheres também pararam de circular com o celular na rua por medo de assalto, contra pouco menos de 29% dos homens. O medo, para elas, não tem hora marcada. Ele está na saída do trabalho, na ida ao mercado, na espera do ônibus.
A pesquisa ouviu 2.004 pessoaspresencialmente em 137 municípiosdo país, com margem de erro entre 0,8 e 4,2 pontos percentuais.