A XI edição da Festa Litero Musical (FLIM), em São José dos Campos, ganhou repercussão após a decisão da Prefeitura de vetar a participação da jornalista e escritora Milly Lacombe. O prefeito Anderson Farias (PSD) argumentou que eventos financiados com recursos públicos não devem ser utilizados como palanque político ou espaço para ataques a valores da sociedade.
Lacombe acumula falas polêmicas em sua trajetória, com críticas frequentes a temas ligados à família e à cultura cristã, o que gerou desconforto entre organizadores e parte da população local. Em reação ao veto, as curadoras do evento anunciaram sua saída, alegando divergências com a Prefeitura.
Na sequência, o escritor Xico Sá também cancelou sua participação em protesto. Com isso, a programação da festa literária sofreu mudanças, levantando dúvidas sobre a realização de debates e mesas previstas.
O episódio reacendeu o debate sobre os limites da liberdade de expressão em eventos culturais bancados com dinheiro público. Enquanto apoiadores da medida consideram legítimo proteger o espaço da influência político-ideológica, críticos classificam a decisão como censura.
Em uma nota, a equipe de curadoria comunicou a saída da feira e repudiou o ocorrido.
“É com muita indignação e revolta que nós, curadoras da 11ª Festa Lítero Musical de São José dos Campos - FLIM, comunicamos a nossa retirada da curadoria da festa que estava prevista para iniciar nesta sexta-feira, 19 de setembro. Após termos nos dedicado por um ano à pesquisa, à leitura e reuniões com um mergulho no tema ‘Eu sou porque nós somos’, fomos surpreendidas com a censura à presença de uma de nossas convidadas para a mesa de abertura”, declarou o grupo em nota.