Dados do IBGE mostram que os itens que mais pesam no orçamento de quem ganha o piso nacional subiram muito acima do reajuste anunciado pelo governo
Em janeiro de 2026, o governo federal reajustou o salário mínimo para R$ 1.621, com aumento de 6,79% sobre os R$ 1.518 vigentes em 2025, conforme o Decreto 12.797/2025. O Ministério do Planejamento celebrou um ganho real de 2,5% acima da inflação — o maior em anos. Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no entanto, mostram que as despesas que mais pesam no orçamento de quem recebe o piso nacional subiram em ritmo muito superior ao do reajuste.
A energia elétrica residencial foi a maior vilã da inflação em 2025, com alta de 12,31% — quase o dobro do reajuste do mínimo. O café moído subiu 35,65%. O lanche, 11,35%. O plano de saúde, 6,42%. Os cursos regulares, 6,54%. O aluguel residencial, 6,06%. Todos esses itens subiram acima ou muito próximo do reajuste que o governo anunciou como vitória para o trabalhador.
Contexto
O reajuste do salário mínimo segue uma fórmula definida pela Lei 14.663/2023: inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulada nos 12 meses anteriores até novembro, somada ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes, limitado a 2,5%. O problema está na diferença entre a inflação média e a inflação sentida por quem ganha o mínimo.
O INPC mede uma média de preços que inclui itens que subiram pouco ou caíram — como alimentos in natura. Mas o trabalhador de baixa renda gasta proporcionalmente mais com energia elétrica, aluguel, transporte e saúde, exatamente os itens que mais subiram. Um trabalhador que recebe o mínimo em São Paulo, depois de descontar INSS (7,5%), aluguel médio, conta de luz, transporte público e um plano de saúde básico, não fecha o mês com o salário.
O reajuste impacta diretamente 61,9 milhões de brasileiros, segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). O custo adicional para a Previdência Social em 2026 é estimado em R$ 39,1 bilhões, segundo a Agência Brasil. O governo estima que o reajuste e a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até dois salários mínimos devem injetar R$ 110 bilhões na economia ao longo do ano.
Fontes: IBGE, Agência Brasil, Dieese, Decreto 12.797/2025 (janeiro de 2026).