Durante o Agosto Lilás, mês de conscientização e enfrentamento à violência contra a mulher, o Hospital Municipal Dr. José de Carvalho Florence, em São José dos Campos, reforça a importância do acolhimento e do acompanhamento de vítimas de violência sexual.
O atendimento na unidade, gerenciada pela SPDM (Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina), é estruturado para oferecer assistência médica, psicológica e social, além de orientar as vítimas sobre seus direitos e os serviços disponíveis na rede de proteção.
A vítima chega inicialmente ao Pronto-Socorro Ginecológico, onde passa pela triagem. Na sequência, é encaminhada para a Sala Lilás, espaço destinado ao atendimento humanizado, sigiloso e qualificado.
Uma equipe multidisciplinar é acionada para acompanhar o caso, reunindo psicóloga, assistente social, médicos e profissionais do Núcleo de Vigilância Epidemiológica.
A proposta é realizar uma consulta integrada para evitar que a vítima precise relatar repetidamente uma situação traumática a diferentes profissionais.
Durante o atendimento, são apresentadas informações sobre os direitos da paciente, realizados os exames necessários e oferecida medicação preventiva contra infecções sexualmente transmissíveis. A vítima também recebe orientações sobre a continuidade do acompanhamento no Ambulatório da Mulher.
O suporte psicológico pode ser oferecido por até seis meses. Quando há necessidade de atendimento especializado ou continuidade do cuidado em saúde mental, a paciente pode ser encaminhada para outros serviços da rede, como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).
Baixa adesão ao acompanhamento preocupa
Apesar da estrutura disponível para garantir a continuidade da assistência, o serviço identifica um problema importante: a baixa adesão às consultas de acompanhamento.
Somente em 2026, o Ambulatório da Mulher agendou 47 consultas para pacientes, mas apenas 13 foram realizadas. Outras 34 consultas não foram comparecidas, o equivalente a 72,3% de faltas.
O acompanhamento após o atendimento inicial é importante para avaliar a evolução clínica da paciente, reforçar orientações, acompanhar aspectos relacionados à saúde mental e identificar a necessidade de encaminhamento para outros serviços.
A Prefeitura de São José dos Campos lançou a campanha Falta Zero para conscientizar a população sobre a importância de confirmar ou cancelar consultas quando não for possível comparecer.
Além de aumentar o tempo de espera por atendimento, as faltas sem aviso impedem que a vaga seja disponibilizada para outra pessoa e geram desperdício de recursos públicos.
Atendimento deve ser procurado o quanto antes
Em casos de estupro, a orientação é procurar atendimento médico de emergência o mais rapidamente possível. A vítima pode buscar uma UPA ou hospital, preferencialmente dentro das primeiras 72 horas, período importante para a adoção de medidas preventivas e avaliação médica.
Durante o atendimento, a equipe pode avaliar a necessidade de medidas para prevenção do HIV, hepatites virais, sífilis e outras infecções sexualmente transmissíveis, além de oferecer suporte psicológico e medidas para prevenção de uma gestação decorrente da violência.
A condução deve seguir os protocolos estabelecidos pelo Ministério da Saúde e considerar as necessidades individuais de cada vítima.
A vítima também é orientada sobre o registro de boletim de ocorrência na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM). No município, a unidade é responsável pela formalização dos casos de violência sexual e pode solicitar a realização de perícia no Instituto Médico Legal (IML).
Rede de proteção
O atendimento realizado no Hospital Municipal faz parte de uma rede que envolve saúde, assistência social, segurança pública e órgãos responsáveis pela garantia de direitos.
A integração entre os serviços é considerada fundamental para que a vítima receba assistência não apenas no momento da emergência, mas também durante o período de recuperação.
A continuidade do acompanhamento permite que profissionais monitorem a saúde física e emocional da paciente, identifiquem novas necessidades e façam encaminhamentos para outros serviços quando necessário.
Durante o Agosto Lilás, a orientação é reforçar que vítimas de violência sexual devem procurar atendimento e que não precisam enfrentar a situação sozinhas. A rede pública dispõe de serviços para acolhimento, tratamento e proteção.