A taxa média de juros do empréstimo pessoal chegou ao maior patamar em 28 anos, segundo levantamento divulgado pelo Procon-SP. Em 2025, a taxa anualizada alcançou 8,13 pontos percentuais, o nível mais alto desde o início da série histórica, em 1997, de acordo com a Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor.
O cenário é reflexo de dois movimentos recentes no mercado financeiro: a limitação dos juros do cheque especial – imposta pelo Banco Central em novembro de 2019 – e a elevação da taxa Selic, que encerrou 2025 em 15%, após sucessivas altas determinadas pelo Comitê de Política Monetária (Copom).
Em dezembro, a taxa média para contratos de empréstimo pessoal parcelados em 12 vezes atingiu 8,35 p.p. ao mês, alta de 4,11% em comparação com janeiro do mesmo ano, quando estava em 8,02 p.p. ao mês.
Diferença entre bancos passa de 50%
O levantamento também aponta grande desigualdade entre as taxas praticadas pelas instituições financeiras. No empréstimo pessoal, o Banco do Brasil cobra 6,58 p.p. ao mês, enquanto o Santander aplica 9,99 p.p. ao mês — uma diferença que ultrapassa 51%.
“As taxas de juros continuam altas e apresentam grandes disparidades entre as instituições financeiras”, destaca o relatório do Procon-SP.
O relatório completo pode ser consultado no site do órgão de defesa do consumidor.
Cheque especial segue no limite
Em relação ao cheque especial, a taxa média ficou praticamente estável: 7,97 p.p. ao mês em 2025, contra 7,96 p.p. ao mês em 2024. Todos os bancos encerraram o ano praticando o teto permitido pelo Banco Central, de 8 p.p. ao mês para pessoas físicas.
Bradesco, Caixa, Itaú, Safra e Santander mantiveram essa taxa durante todo o ano, enquanto o Banco do Brasil só adotou o limite no último trimestre.
Mercado pressionado pela Selic e inflação
O aumento dos juros está diretamente associado ao comportamento da economia ao longo de 2025. Além da inflação acima da meta, o Banco Central considerou fatores como desvalorização cambial, aquecimento do mercado de trabalho, pressões fiscais e o cenário internacional para elevar os juros básicos.
De acordo com o Procon-SP, as taxas ao consumidor também são afetadas por outras variáveis, como inadimplência, custos operacionais, tributos e lucro das instituições – fatores que influenciam o spread bancário, que segue elevado no país.
Orientação ao consumidor
O Procon-SP reforça que o consumidor deve usar o crédito com cautela, evitando contrair dívidas quando não houver necessidade real. A recomendação é planejar o orçamento, comparar condições entre bancos e buscar alternativas antes de assumir compromissos financeiros.
O objetivo do levantamento é informar a população sobre o comportamento do mercado e incentivar um uso mais consciente e responsável do crédito.