O TJSP (Tribunal de Justiça de São Paulo) negou um novo pedido de habeas corpus apresentado pela defesa do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, acusado de matar a esposa, a soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana. O oficial tem ligação com o Vale do Paraíba, onde trabalhou em São José dos Campos e acabou preso em março deste ano.
A decisão foi assinada na última sexta-feira (23), pelo desembargador César Augusto Andrade de Castro, relator do caso na 9ª Câmara de Direito Criminal. O magistrado rejeitou os argumentos da defesa de que a prisão preventiva não teria fundamentação adequada.
Os advogados de Geraldo Neto alegaram que ele possui residência fixa, ocupação lícita, colaborou com as investigações e não representa risco à ordem pública nem à produção de provas. O pedido de soltura, porém, foi negado.
Coronel foi preso em São José dos Campos
Com passagem profissional pelo Vale do Paraíba, Geraldo Leite Rosa Neto foi preso em São José dos Campos, em 18 de março. Atualmente, está detido no Presídio Militar Romão Gomes, na capital paulista.
O tenente-coronel é acusado de assassinar a soldado Gisele Alves Santana, de 32 anos, com um tiro na cabeça. Ela foi encontrada gravemente ferida no apartamento onde vivia com o marido, no bairro do Brás, região central de São Paulo. A morte ocorreu em fevereiro.
O caso foi inicialmente tratado como suicídio, versão sustentada pelo oficial. Posteriormente, as circunstâncias da ocorrência passaram a ser investigadas como suspeita de feminicídio. Além da acusação de feminicídio, Geraldo Neto também responde por fraude processual.
Defesa sustenta versão de suicídio
No último dia 6, o tenente-coronel foi interrogado pela Justiça comum em uma audiência que durou aproximadamente oito horas. Durante o depoimento, afirmou estar preso havia 202 dias e negou ter cometido qualquer crime.
A versão apresentada pelo oficial é de que Gisele teria encontrado a arma dele sobre o guarda-roupa e disparado contra a própria cabeça. Segundo o relato, o quarto estaria destrancado naquele dia, o que teria permitido que a policial tivesse acesso à arma.
O coronel também sustentou que o disparo teria ocorrido porque a esposa não teria aceitado o fim do relacionamento, supostamente proposto por ele.
Perícias colocaram versão em dúvida
As circunstâncias da morte passaram a levantar questionamentos desde a chegada dos primeiros socorristas ao apartamento. O bombeiro Rodrigo Almeida Rodrigues, com 15 anos de experiência na corporação, decidiu fotografar a cena antes do atendimento emergencial.
Em depoimento à Polícia Civil, ele relatou que a situação encontrada no imóvel não correspondia a outras ocorrências de suicídio que havia atendido.
Posteriormente, laudos periciais reforçaram as dúvidas sobre a versão apresentada pelo tenente-coronel. Segundo as conclusões mencionadas no processo, a dinâmica encontrada no apartamento indicaria a impossibilidade de Gisele ter efetuado o disparo contra a própria cabeça.
A soldado foi transportada de helicóptero ao Hospital das Clínicas, mas morreu cerca de quatro horas e meia depois de ser baleada.
Mensagens trocadas entre o casal também foram incorporadas ao processo e passaram a ser consideradas na análise das circunstâncias da morte.
No mês passado, a 5ª Vara do Júri autorizou o compartilhamento das provas do inquérito com o Conselho de Justificação Militar, responsável por avaliar se Geraldo Neto deve ser excluído da Polícia Militar.
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