A pequena e turística Igaratá, no Vale do Paraíba, conhecida pelas águas calmas e pela represa que atrai visitantes nos fins de semana, está no centro de uma investigação da Polícia Federal que revela uma faceta até então oculta: o município de pouco mais de 10 mil habitantes tornou-se refúgio para integrantes do PCC (Primeiro Comando da Capital), influenciadores e funkeiros que ostentam luxo nas redes sociais.
O destino, antes procurado apenas por famílias em busca de lazer e tranquilidade, passou a abrigar mansões de luxo, lanchas e festas exibidas em clipes e perfis de influenciadores. Em meio a esse cenário de ostentação, a cidade virou alvo de investigações sobre lavagem de dinheiro, apostas ilegais e tráfico internacional de drogas.
Um dos imóveis investigados pertence a Ademir Pereira de Andrade, apontado como operador financeiro do PCC. O nome dele surgiu na delação de Vinícius Gritzbach, corretor de imóveis assassinado após relatar à polícia conexões entre a facção e agentes públicos.
A mais recente ofensiva da PF, Operação Narco Bet, deflagrada no último dia 14, prendeu o influenciador digital Bruno Alexssander Souza, conhecido como Buzeira, em uma mansão avaliada em quase R$ 20 milhões às margens da represa. Ele é investigado por envolvimento em um esquema de apostas, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.
Fontes ligadas à investigação afirmam que Igaratá passou a atrair criminosos justamente por seu perfil de cidade pacata, próxima da capital paulista, ideal para quem busca “discrição com luxo”. Mesmo com a movimentação atípica, a delegacia local informou que não houve aumento nos índices de criminalidade — o que, segundo investigadores, reforça a característica de “refúgio” e não de “base de operação”.
Com o avanço das apurações, Igaratá se vê dividida entre a fama de paraíso natural e o estigma de novo esconderijo de luxo do crime organizado.