A chegada da primeira caneta brasileira à base de semaglutida ao mercado nacional já movimenta o setor farmacêutico e gera expectativa entre pacientes que utilizam medicamentos para diabetes e controle de peso. Apesar de a nova medicação ter recebido um teto de preço semelhante ao praticado atualmente pelo Ozempic e pelo Wegovy, a fabricante afirma que pretende vender o produto por um valor mais acessível.
O medicamento, chamado Ozivy, foi desenvolvido pelo laboratório brasileiro EMS e recebeu nesta semana o aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A caneta utiliza o mesmo princípio ativo presente no Ozempic: a semaglutida, substância que auxilia no controle da glicemia e também ficou conhecida pelo uso associado à perda de peso.
Após a aprovação regulatória, a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) definiu que o preço máximo autorizado para a comercialização da versão nacional será de R$ 1.077,79 nas apresentações equivalentes às versões mais comuns do Ozempic e do Wegovy, sem considerar impostos. O valor final pode variar conforme a carga tributária de cada estado.
Mesmo com o teto estabelecido no mesmo patamar dos concorrentes, a EMS informou que pretende praticar preços cerca de 30% menores para ganhar espaço no mercado. Com isso, a expectativa é que algumas versões da caneta cheguem às farmácias custando entre R$ 700 e R$ 750, dependendo da dosagem e da política comercial adotada pela empresa.
A aprovação do Ozivy aconteceu pouco mais de dois meses após o fim da patente da semaglutida no Brasil. A quebra da exclusividade abriu espaço para que laboratórios nacionais passassem a desenvolver versões próprias do medicamento, ampliando a concorrência em um dos segmentos que mais cresceram nos últimos anos no mercado farmacêutico.
Segundo a Anvisa, o produto foi autorizado para o tratamento de adultos com diabetes tipo 2 insuficientemente controlado, podendo ser utilizado em conjunto com dieta, exercícios físicos e outros medicamentos. A EMS também já sinalizou que pretende solicitar futuramente a ampliação da indicação para obesidade, assim como ocorre atualmente com o Wegovy.
Outro detalhe que chama atenção é a forma de armazenamento. Diferentemente do Ozempic, que pode permanecer fora da geladeira por um período após iniciado o uso, o Ozivy precisará permanecer refrigerado durante todo o tratamento, seguindo orientação do fabricante.
Especialistas avaliam que a entrada de versões nacionais da semaglutida pode ampliar o acesso ao tratamento, principalmente diante dos altos preços praticados atualmente pelas chamadas “canetas emagrecedoras”, que chegam a ultrapassar R$ 1 mil por unidade em algumas apresentações.
A EMS ainda não divulgou a data oficial para o início das vendas, mas a expectativa da empresa é que o produto esteja disponível nas farmácias brasileiras nas próximas semanas.