Sete em cada dez brasileiros que estão no mercado de trabalho afirmam não correr risco de perder o emprego.
É o que revela pesquisa do Datafolha divulgada nesta quarta-feira (27), na qual 71% dos entrevistados disseram não temer demissão ou ficar sem ocupação. Outros 9% veem alguma chance de que isso aconteça, enquanto 19% avaliam o risco como grande. Os números são os melhores registrados pelo instituto desde 2013.
O levantamento foi conduzido nos dias 12 e 13 de maio com 1.312 pessoas de 16 anos ou mais em 139 municípios de todo o Brasil, com margem de erro de três pontos percentuais.
Participaram apenas pessoas que possuem algum trabalho, formal ou informal, e integram a População Economicamente Ativa, como assalariados, autônomos e empresários. Desempregados, aposentados e estudantes não foram incluídos na base.
O contexto econômico ajuda a explicar o otimismo. A taxa de desocupação está em 6,1%, um dos menores patamares da história recente do país. Para efeito de comparação, durante a pandemia de Covid-19 o indicador chegou perto de 15%, e entre 2016 e 2021 permaneceu acima de dois dígitos.
O sentimento positivo é mais intenso entre funcionários públicos, com 84%, e pessoas com 60 anos ou mais, com 80%.
Entre quem recebe até dois salários mínimos, o índice cai para 65%, mesma proporção observada entre os menos escolarizados e os jovens de 16 a 24 anos. No extremo oposto, 75% dos que ganham acima de dez salários mínimos dizem não temer a falta de trabalho.
Na série histórica do Datafolha, valores nesse patamar foram registrados apenas no segundo governo Lula, entre 2007 e 2010, e no início do governo Dilma Rousseff, entre 2011 e 2014. O recorde é de 75%, medido em março de 2013, quando o desemprego estava em 8%. Ao fim daquele ciclo, o Brasil mergulhou na maior recessão da história recente e o desemprego chegou a quase 14%.
A última edição do mesmo levantamento, em julho de 2019, registrava um cenário bem diferente: 58% diziam não correr risco de demissão, 25% viam algum risco e 15% avaliavam o risco como grande, em um momento em que a taxa de desocupação era de 11,9%.
O quadro positivo, porém, convive com contradições. Pesquisa do mesmo instituto realizada em abril mostrou que quase metade dos brasileiros buscou uma fonte de renda alternativa nos últimos meses, sobretudo entre os de menor renda. Ao mesmo tempo, cerca de 60% afirmam não ter recursos suficientes para pagar todas as contas.
Em março, outro levantamento apontou que 71% apoiam o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho, dado que, lido junto aos números desta pesquisa, sugere que o emprego existe, mas as condições de trabalho ainda deixam a desejar para boa parte da população.