Quatro bugios-ruivos serão reintroduzidos nas florestas de São Francisco Xavier, distrito de São José dos Campos localizado na Serra da Mantiqueira. O grupo, formado por um macho e três fêmeas, passa por um período de adaptação antes da soltura na natureza.
Os animais chegaram ao distrito na terça-feira (25) de agosto e foram encaminhados para um viveiro construído especialmente para o projeto. A nova etapa do Programa Primatas foi divulgada pela Prefeitura de São José dos Campos na quinta-feira (3).
A previsão é que a soltura ocorra em aproximadamente 45 dias, mas a data dependerá da adaptação dos animais e das avaliações realizadas pela equipe técnica.
Animais precisam formar vínculos antes da soltura
Inicialmente, os bugios permanecem em recintos separados e são acompanhados por especialistas. O objetivo é permitir uma aproximação gradual, para que os animais interajam, estabeleçam vínculos e formem um novo grupo antes de retornarem à floresta.
Entre eles está o macho Encantado, encontrado sozinho próximo a áreas ocupadas, estradas e redes de energia elétrica em São Francisco Xavier. O animal foi levado para um centro especializado em São Paulo, onde recebeu cuidados, vacinação e passou por reabilitação antes de retornar à região.
A iniciativa é conduzida pelo Projeto Primus, tendo a Associação Regenera Yama como instituição requerente e a Fundação Florestal como responsável técnica. A Prefeitura de São José dos Campos participa do conselho gestor, juntamente com órgãos ambientais, instituições de pesquisa e organizações voltadas à conservação da fauna.
O trabalho em São Francisco Xavier integra um grupo restrito de projetos de reintrodução e reforço populacional de bugios realizados no Brasil. As outras iniciativas estão no Parque Nacional da Tijuca, no Rio de Janeiro, em Florianópolis e na Serra da Cantareira.
Bugios não transmitem febre amarela
O bugio-ruivo (Alouatta guariba) é classificado como espécie em perigo de extinção pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Entre as principais ameaças estão o desmatamento, a fragmentação das florestas, os atropelamentos e os acidentes envolvendo redes elétricas.
A população da espécie na região sofreu uma forte redução durante o surto de febre amarela silvestre registrado entre 2017 e 2018. Os bugios são extremamente sensíveis à doença, mas não transmitem o vírus aos seres humanos. A transmissão ocorre pela picada de mosquitos silvestres infectados.
Por adoecerem e morrerem rapidamente quando o vírus circula pela floresta, os primatas funcionam como sentinelas naturais e ajudam as autoridades de saúde a identificar áreas com circulação da febre amarela. A principal forma de proteção para moradores e visitantes continua sendo a vacinação.
Criado em 2020, o Programa Primatas desenvolve pesquisas, ações de conservação e atividades de educação ambiental em São Francisco Xavier. O projeto voltado aos bugios-ruivos tem trabalhos previstos até junho de 2027, incluindo monitoramento dos animais, pesquisas e sensibilização da população.