A popularização de medicamentos injetáveis para perda de peso, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, trouxe à tona um novo fenômeno clínico: a agonorexia. O termo, importado dos Estados Unidos, descreve uma inibição do apetite tão radical que se assemelha à anorexia, mas é provocada quimicamente por remédios conhecidos como agonistas de GLP-1.
Embora ainda não seja um diagnóstico oficial nos manuais de psiquiatria, a condição já preocupa endocrinologistas e psiquiatras brasileiros devido aos danos graves que o uso indiscriminado e sem acompanhamento pode causar à saúde.
O Perigo do Efeito Farmacológico Extremo
As "canetas" atuam imitando hormônios intestinais que reduzem a fome e aumentam a saciedade. O problema ocorre quando essa inibição passa do limite terapêutico. Segundo o endocrinologista Clayton Macedo, diretor da SBEM, a agonorexia é um "efeito farmacológico extremo".
Contexto de Risco: O uso por pessoas que não têm obesidade ou diabetes (uso estético) e a aplicação de doses altas logo no início do tratamento — sem a progressão gradual recomendada — são os principais gatilhos para o quadro.
Versões Manipuladas: Especialistas alertam contra produtos manipulados ou contrabandeados. Estudos indicam que alguns desses medicamentos podem ter até 38% a mais de princípio ativo do que o esperado, potencializando efeitos adversos.
Sintomas e Sinais de Alerta
A psiquiatra Tâmara Kenski e o endocrinologista Renato Zilli listam sinais que indicam que o tratamento saiu do controle:
Náuseas persistentes e fraqueza extrema;
Isolamento social e ansiedade intensa para manter a medicação;
Perda de peso acelerada e ingestão calórica exageradamente baixa;
Valorização excessiva da falta de apetite.
Riscos Clínicos Graves
A busca pelo emagrecimento rápido sem supervisão pode levar a complicações fatais:
Pancreatite: A perda rápida de peso favorece cálculos biliares que podem causar pancreatite necrotizante, uma condição que pode levar à morte.
Sarcopenia: Sem exercícios de resistência e acompanhamento nutricional, o paciente perde muita massa muscular (massa magra), o que pode gerar problemas de mobilidade e saúde nas próximas décadas.