O Ministério Público de São Paulo (MPSP) protocolou no dia 1º de junho uma ação por improbidade administrativa contra Anderson Farias (PSD), e a enfermeira Milena Coelho, servidora do município, após suspeitas de que ela teria sido nomeada em cargos de confiança enquanto mantinha um vínculo amoroso com o prefeito.
“Há evidências de que nomeações da sra. Milena Guimarães Coelho na Administração Pública de São José dos Campos foram efetivadas concomitantemente a seu relacionamento afetivo com o Prefeito de São José dos Campos, sendo que mantinham relação adúltera, impondo-se nulidade dos atos de nomeação e responsabilização pela improbidade explícita”, afirmou a promotora Ana Cristina Ioriatti Chami, em despacho da última segunda-feira (1º).
Com isso, a promotoria solicitou à Justiça a aplicação de multa, suspensão de direitos políticos de Anderson e proibição de contratos com o Estado. O pedido ainda inclui a quebra de sigilo, além da verificação da geolocalização do aparelho de telefone da servidora.
Para a promotora, embora não haja vínculo formal de casamento, “é inegável que a posição de companheira de fato, amante, concubina, ou parceira amorosa, igualmente impede nomeações comissionadas ou o exercício de funções de confiança frente à Administração Pública Municipal, “tanto direta quanto indireta”.
No ano passado, o Ministério Público requisitou à Prefeitura informações detalhadas sobre a atuação da enfermeira, que ocupou sete cargos comissionados diferentes
na Secretaria de Saúde.
A primeira nomeação ocorreu em 25 de setembro de 2017, quando ela foi comissionada para ser chefe da Unidade de Atenção Integral à Saúde Mental, na região sul. À época, Felício Ramuth era prefeito de São José, e Anderson era o secretário de governo.

De 2017 até 2025 foram mais seis nomeações: Assessora de Chefia em 2018, Assessora Especial em 2021, Ouvidora da Saúde e Chefe de Apoio Administrativo em novembro de 2022, Chefe de Saúde do Trabalhador em maio de 2023.
O último cargo comissionado foi o de Diretora de Vigilância em Saúde, em janeiro de 2025, função em que Milena recebia salário de R$ 12.618,10 e pediu exoneração em outubro do mesmo ano após o Ministério Público instaurou inquérito para apurar a denúncia anônima de que, no horário de expediente da Prefeitura, Milena atenderia em uma clínica de estética particular.
“Minha nomeação para a função de diretora atendeu a todos os requisitos legais e critérios técnicos, sendo fruto de mérito profissional e dedicação ao serviço público”, disse Milena, quando pediu a exoneração do último cargo.
O texto ainda afirma que a data de início do relacionamento adúltero é desconhecida, mas que há evidências de que ambos mantinham relações íntimas desde 2023.