O Brasil iniciou 2026 com um aumento no número de jovens que estão fora da escola e também do mercado de trabalho. Dados divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego mostram que 6,2 milhões de pessoas entre 14 e 24 anos vivem atualmente na condição conhecida como “nem-nem”, equivalente a 18,8% da população dessa faixa etária.
O levantamento aponta que, dos 32,9 milhões de brasileiros entre 14 e 24 anos, quase um em cada cinco não frequenta instituições de ensino nem possui ocupação profissional. Em relação ao fim de 2025, houve um crescimento de aproximadamente 700 mil jovens nessa situação durante o primeiro trimestre deste ano.
Segundo a análise do Governo Federal, parte desse aumento está ligada à sazonalidade do período. Os primeiros meses do ano costumam registrar o encerramento de contratos temporários firmados no fim do ano anterior, enquanto muitos estudantes ainda estão em processo de matrícula ou retorno às atividades escolares.
Apesar da explicação, o indicador continua sendo motivo de preocupação por refletir dificuldades históricas enfrentadas pela juventude brasileira para ingressar no mercado de trabalho e permanecer nos estudos.
Mercado formal avança entre quem trabalha
O relatório também revela um aspecto positivo: entre os jovens que estão empregados, a maioria possui vínculo formal. Quase 60% trabalham com carteira assinada, indicando uma expansão da formalização das relações de trabalho entre os mais jovens.
Especialistas apontam que a formalização representa maior estabilidade financeira, acesso a direitos trabalhistas e melhores perspectivas de desenvolvimento profissional.
Desafio exige políticas públicas
A permanência de milhões de jovens fora da escola e do mercado evidencia a necessidade de políticas públicas voltadas à qualificação profissional, incentivo à permanência nos estudos e criação de oportunidades para o primeiro emprego.
Programas de aprendizagem, cursos técnicos, capacitação profissional e incentivos à contratação são apontados como ferramentas importantes para reduzir esse contingente e ampliar as perspectivas de inserção produtiva dessa parcela da população.
Além dos impactos individuais, a permanência de um grande número de jovens sem estudar ou trabalhar pode gerar reflexos na produtividade econômica, aumentar a vulnerabilidade social e dificultar o desenvolvimento do país no longo prazo, alertam especialistas em recursos humanos