O percentual de famílias brasileiras com algum tipo de dívida alcançou 81,6%, reforçando o cenário de pressão sobre o orçamento doméstico e preocupação com a capacidade de pagamento dos consumidores.
O índice representa um dos maiores patamares já registrados pela Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
Os dados mostram que o endividamento segue em trajetória de alta nos últimos meses, impulsionado principalmente pelo uso do cartão de crédito, que continua sendo a principal fonte de dívidas das famílias brasileiras.
Também entram na conta modalidades como empréstimos pessoais, crédito consignado, financiamentos de veículos e imóveis, além de carnês e cheque especial.
Apesar do aumento no número de famílias endividadas, os indicadores de inadimplência têm apresentado relativa estabilidade. Cerca de três em cada dez famílias possuem contas em atraso, enquanto uma parcela significativa afirma não ter condições de quitar os débitos pendentes.
Especialistas avaliam que o crédito tem sido utilizado cada vez mais como complemento da renda familiar. O fenômeno é reflexo de fatores como o alto custo de vida, juros elevados e dificuldades para equilibrar as despesas mensais.
Segundo análise da CNC, o crescimento do endividamento não tem sido acompanhado por uma deterioração proporcional da inadimplência, o que sugere que parte das famílias ainda consegue administrar seus compromissos financeiros.
O avanço das dívidas atinge diferentes faixas de renda, embora as famílias de menor poder aquisitivo continuem sendo as mais vulneráveis aos atrasos nos pagamentos.
Entre os consumidores de baixa renda, os índices de inadimplência permanecem mais elevados do que nas demais classes sociais.
O cenário tem levado economistas e entidades do setor a defender ações de educação financeira e programas de renegociação de dívidas como forma de evitar que o endividamento evolua para situações de inadimplência permanente.