Beber café pode estar associado a um menor risco de desenvolver cirrose e câncer de fígado, segundo um estudo publicado em julho de 2026 na revista científica Clinical Gastroenterology and Hepatology. A pesquisa acompanhou 354.957 pessoas por cerca de 13 anos e identificou resultados favoráveis entre os consumidores da bebida.
Na comparação com pessoas que não bebiam café, quem consumia cinco ou mais xícaras por dia apresentou 32% menos risco de cirrose e 47% menos risco de carcinoma hepatocelular, o tipo mais comum de câncer primário do fígado. O estudo também encontrou uma redução de 42% no risco de morte por doenças hepáticas.
A associação não ficou restrita ao café com cafeína. Resultados semelhantes também foram observados entre pessoas que consumiam café descafeinado, o que sugere que outros componentes presentes na bebida podem estar envolvidos nos efeitos observados.
Os pesquisadores também analisaram exames de ressonância magnética e proteínas presentes no sangue. Entre os participantes que consumiam mais café, foram observados, em média, menores níveis de gordura no fígado e de alterações relacionadas à inflamação e à fibrose, processo que pode levar à formação de cicatrizes no órgão.
Apesar dos resultados, o estudo não prova que o café cause diretamente a redução do risco. A pesquisa é observacional, o que significa que os pesquisadores identificaram uma associação entre os fatores, mas não conseguem afirmar que um provocou o outro. Além disso, o consumo de café foi informado pelos próprios participantes e pode ter mudado ao longo do período analisado.
Por isso, os dados não significam que beber cinco ou mais xícaras por dia seja uma recomendação médica. A quantidade adequada varia de pessoa para pessoa e deve levar em conta fatores como tolerância à cafeína, sono, pressão arterial, medicamentos e outras condições de saúde.
Ainda assim, o estudo reforça evidências anteriores de que o consumo de café pode estar relacionado a benefícios para a saúde do fígado. Para reduzir o risco de doenças hepáticas, especialistas também recomendam evitar o consumo excessivo de álcool, manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física e controlar fatores como peso, glicemia e triglicerídeos.