Brasil, México, Equador e Haiti figuram entre os dez países mais perigosos do mundo em 2025, segundo o índice global de conflitos divulgado nesta quinta-feira (11) pela ACLED (Armed Conflict Event Location and Data Project). O ranking, que considera mortalidade, riscos a civis, amplitude territorial dos conflitos e presença de grupos armados, alerta para o crescimento da violência na América Latina.
Entre os latino-americanos, o México ocupa a posição mais elevada — 4º lugar — atrás apenas de Palestina, Mianmar e Síria, regiões diretamente afetadas por guerras. O país manteve a mesma colocação de 2024, impulsionado por episódios de violência ligados ao narcotráfico, sobretudo após a prisão de Ismael “El Mayo” Zambada, liderança histórica do Cartel de Sinaloa. A captura provocou uma reconfiguração interna do grupo e uma escalada nos confrontos, especialmente no estado de Sinaloa, onde os homicídios aumentaram 400% no ano seguinte.
Além dos conflitos entre facções, a ACLED destaca o aumento significativo da violência contra políticos e servidores públicos no México: foram 360 ataques em um ano, incluindo o assassinato do prefeito de Uruapan, Carlos Manzo, em meio a denúncias sobre atuação criminosa na região.
Escalada de violência no Equador, Brasil e Haiti
O Equador apresenta uma das situações mais críticas do continente. O país aparece em 6º lugar no ranking, 36 posições acima de 2024. A ACLED projeta que a taxa de homicídios pode alcançar o maior índice da América Latina pelo terceiro ano consecutivo. Os confrontos entre facções como Los Lobos e Los Choneros, a fragmentação das gangues e o papel estratégico do país no tráfico internacional de cocaína estão entre os fatores que explicam a escalada.
No Brasil — 7º lugar — a disputa entre organizações criminosas também ocupa grande parte do diagnóstico. Um dos episódios mais marcantes citados é a operação contra o Comando Vermelho no Rio de Janeiro, que resultou em mais de 120 mortes em outubro.
Já o Haiti figura na 8ª posição, em meio ao avanço de gangues que se aproveitam da instabilidade política desde o assassinato do presidente Jovenel Moïse, em 2021. A atuação dos grupos armados, concentrada inicialmente em Porto Príncipe, já se espalha para outras regiões. Em resposta, o Conselho de Segurança da ONU aprovou o envio de uma força multinacional com mais de 5 mil agentes para apoiar a segurança local.
Militarização não resolve o problema, diz analista
Apesar da adoção de políticas de endurecimento e do aumento da presença de forças de segurança nas ruas, a violência continua avançando. Para Sandra Pellegrini, analista da ACLED, a estratégia pode até reduzir confrontos no curto prazo, mas tende a agravar o cenário posteriormente.
“A militarização da segurança pública pode fragmentar ainda mais os grupos criminosos, ampliando a violência e aumentando o risco de abusos cometidos pelo próprio Estado”, explicou à CNN.
Segundo ela, há pouco espaço político na região para rever essas políticas, já que a retórica de “tolerância zero” segue popular entre parte da população — além da pressão do governo dos Estados Unidos por medidas mais duras contra o crime organizado.
Ranking dos 10 países mais perigosos do mundo em 2025 — ACLED
Palestina
Mianmar
Síria
México
Nigéria
Equador
Brasil
Haiti
Sudão
Paquistão